Em depoimento, tenente

Depoimento e acusação de armação

No último dia 5, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto prestou um depoimento de mais de oito horas no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, onde é acusado de feminicídio, crime que vitimou sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana. Durante o interrogatório, Neto alegou que havia sido vítima de uma armação por parte das peritas que atuaram no caso, afirmando que a cena do crime foi manipulada para incriminá-lo. Ele relatou que, na reconstituição dos fatos, a equipe de perícia teria deslocado um sofá a fim de obstruir sua visão da posição da vítima no local do crime, o que, segundo ele, comprometeria sua versão dos acontecimentos.

Além das acusações contra as peritas, Neto revelou que a presença de uma árvore de Natal em seu quarto poderia ter sido alterada para prejudicar sua defesa. O tenente-coronel alegou que a árvore foi remontada pelas profissionais para obstruir seu campo de visão, enquanto ele tentava reconstruir o que ocorreu no dia da morte de Gisele. Ele declarou: “As peritas demoraram quase 10 minutos para remontar a árvore só para me acusar”.

Irregularidades na cena do crime

O tenente-coronel também trouxe à tona diversas supostas irregularidades na preservação das provas e na cena do crime. Segundo ele, a arma utilizada no feminicídio estava posicionada de forma a dar a impressão de que Gisele não teria como alcançá-la, uma vez que o laudo apontava a altura do guarda-roupas de forma incorreta. Ele afirmou que a arma estava em um local acessível, podendo ter sido alcançada pela vítima caso ela tivesse usado uma bolsa que estava ao lado.

feminicídio



Neto frisou que, após o crime, sua bermuda, que estava manchada de sangue, não foi encontrada onde deveria, o que, segundo ele, compromete a integridade da investigação. Ele afirmou ainda que a movimentação desordenada de pessoas em seu apartamento durante o trabalho da perícia poderia ter prejudicado a coleta de evidências e a legítima apuração dos fatos.

Falta de confiança na investigação

Durante seu depoimento, o réu expressou sua desconfiança em relação à Polícia Civil e à investigação realizada. Ele questionou a autenticidade das mensagens extraídas dos celulares dele e de Gisele, que foram usadas como suposta evidência contra ele. Embora as mensagens indicassem um conflito no relacionamento, Neto defendeu que tentava se separar da esposa devido a um comportamento agressivo dela, e classificou as mensagens como “blefes”.

Neto se mostrou ainda mais frustrado ao relatar a desconfiança que sente em relação à integridade da investigação e das evidências coletadas. A defesa do tenente-coronel ressalta que ele foi preso com base em uma narrativa que seria, em suas palavras, uma tentativa de incriminá-lo, afirmando que “todo dia parece um pesadelo” por estar preso injustamente.

Condições do réu na prisão

O tenente-coronel Geraldo Neto está preso preventivamente desde 18 de março, um mês após a morte de Gisele Alves. Durante seu depoimento, ele descreveu as condições de sua detenção, afirmando que está há 202 dias encarcerado por um crime que nega ter cometido. Em diversas ocasiões, reafirmou que a soldado teria tirado a própria vida, insistindo que não tinha participação na morte dela. Após a reviravolta das investigações, um laudo recente concluiu que Gisele não cometeu suicídio, contribuindo para o fortalecimento da acusação de feminicídio contra ele.



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