A História da Assembleia de Deus Madureira
A Assembleia de Deus é uma das mais influentes denominações evangélicas no Brasil, com uma trajetória marcada por suas raízes pentecostais. Fundada no início do século 20, a denominação chegou ao Brasil em 1911, através de missionários suecos, e desde então, tem crescido exponencialmente, dividindo-se em diversas congregações e ministérios.
Entre os ministérios que emergiram, destaca-se o Ministério Madureira, fundado em 1929 por Paulo Leivas Macalão no Rio de Janeiro. A história da Madureira reflete não apenas o crescimento da igreja, mas também suas adaptações e transformações ao longo do tempo, incluindo sua formalização com a criação da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil (Conamad) em 1958, que consolidou sua autonomia em relação à matriz.
Mudanças no Cenário Político Brasileiro
O cenário político brasileiro tem se mostrado volátil ao longo das décadas, refletindo mudanças significativas na sociedade. A ascensão da Assembleia de Deus Madureira à proeminência política se deu em grande parte devido ao seu engajamento em questões sociais e políticas, especialmente nos anos de redemocratização pós-ditadura.

Desde os anos 1980, a igreja começou a se envolver mais ativamente na política, buscando influenciar decisões governamentais para atender às necessidades de sua comunidade. O compromisso com causas sociais e a defesa de valores evangélicos tornaram-se características marcantes do ministério.
A Relação da Igreja com a Política
A relação entre a Assembleia de Deus Madureira e a política é complexa e multifacetada. Os líderes da igreja têm historicamente buscado se alinhar a figuras políticas que possam atender aos interesses da denominação, formando uma espécie de “Centrão” dentro do espectro religioso. Essa aproximação permite que a igreja tenha uma voz ativa em discussões políticas e sociais.
Isso foi evidente quando o bispo Manoel Ferreira, líder da igreja, apoiou diversos candidatos ao longo das décadas, incluindo the ex-presidente Lula em um momento crítico na história política do Brasil. Essa habilidade de adaptação e pragmatismo tem sido uma marca registrada do Ministério Madureira.
O Impacto do Bolsonarismo na Igreja
O advento do bolsonarismo trouxe novas dinâmicas para o mundo evangélico no Brasil. Em 2018, a Assembleia de Deus Madureira se alinhou com Jair Bolsonaro, refletindo a onda conservadora que varreu o país. No entanto, em 2022, a relação não se manteve a mesma em relação a Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, o que demonstra um certo desencanto com a família Bolsonaro.
Essa mudança é crucial para entender como a igreja navega as águas turbulentas da política brasileira, mostrando que seu apoio é baseado em interesses que vão além do simples alinhamento a uma figura política.
Relações com Outras Candidaturas
Apesar de sua conexão com figuras proeminentes da política, a Assembleia de Deus Madureira também mostrou cautela nas relações com outros candidatos. Na última eleição, mesmo com a aproximação de Flávio Bolsonaro, a igreja optou por apoiar Ronaldo Caiado, o que revela uma estratégia mais calculada e uma avaliação cuidadosa das opções disponíveis.
Esse movimento destaca o desejo da igreja de não ficar presa a uma única figura política, mas sim buscar apoio em candidatos que estejam mais próximos da sua visão de gestão e valores.
Decisões Recentes da Assembleia de Deus
Em abril de 2026, durante o evento anual da Conamad, a Assembleia de Deus oficializou seu apoio a Ronaldo Caiado, destacando a necessidade de um governante que possa ser um verdadeiro gestor. A decisão foi vista como uma resposta ao ambiente polarizado, que exigia uma posição mais clara da igreja.
O bispo Samuel Ferreira, na ocasião, enfatizou a importância do envolvimento da igreja na política, indicando que o apoio a candidatos deve sempre estar alinhado a um compromisso com a moral e os valores cristãos.
A Influência da Igreja nas Eleições
A Assembleia de Deus Madureira possui uma influência considerável em várias regiões do Brasil, especialmente em Goiás, onde a igreja tem uma forte base de fiéis. Essa influência se reflete nas eleições, onde a mobilização de seus membros pode ser um fator decisivo.
A capacidade da igreja de unir seus fiéis em torno de candidaturas fortalece sua posição política, transformando-a em um ator relevante nas esferas estaduais e federais.
Razões para a Rejeição a Flávio Bolsonaro
A rejeição de Flávio Bolsonaro pela Assembleia de Deus é um exemplo claro de como a política pode ser volátil. A liderança da igreja expressou preocupações sobre a distância e a falta de engajamento do senador com a comunidade e as suas necessidades, resultando em um afastamento significativo.
Os líderes da igreja, como Otoni de Paula, sublinham que o senador nunca foi parte integrante da congregação e, consequentemente, a rejeição se torna uma posição natural diante da falta de compromisso demonstrado.
A Evolução da Bancada Evangélica
A Assembleia de Deus, com suas diversas convenções, tem contribuído para a formação da bancada evangélica no Congresso Nacional. Essa bancada, que se fortaleceu com o passar dos anos, reflete a crescente influência das igrejas evangélicas nas decisões políticas do país.
A trajetória da Assembleia de Deus Madureira, em particular, mostra como a igreja sempre buscou se posicionar em relação aos desafios políticos, moldando suas estratégias para maximizar sua influência no cenário nacional.
Perspectivas Futuras da Assembleia de Deus
O futuro da Assembleia de Deus Madureira é incerto, mas as tendências atuais indicam que a igreja continuará a ter um papel relevante na política brasileira. Com a mudança de governo e a permanência de valores centrados na moral e na ética, a igreja deverá manter sua estratégia de se alinhar com candidatos que representem esses ideais.
Além disso, a adaptação às novas realidades políticas e sociais será fundamental para sua continuidade e crescimento. O aumento do engajamento dos jovens e a necessidade de respostas a questões contemporâneas, como justiça social e igualdade, representarão desafios e oportunidades que a Assembleia deverá enfrentar nos próximos anos.


